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LEGIS.Emenda Constitucionalvigente

Emenda Constitucional nº 53, de 2006

Publicação: 19/12/2006Nº: 53/2006
Análise

Impacto — resumo

A EC 53/2006 cria o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), estabelecendo regras de financiamento com recursos de impostos e contribuições — incluindo a contribuição social do salário-educação recolhida pelas empresas — com vigência de 14 anos. Para empresas, a principal implicação é a constitucionalização do salário-educação como fonte adicional de financiamento da educação básica pública, reforçando sua obrigatoriedade. A emenda também estabelece piso salarial nacional para profissionais da educação e garante assistência gratuita em creches e pré-escolas como direito do trabalhador.

Impacto — detalhado

A Emenda Constitucional nº 53/2006 promoveu alterações profundas no financiamento da educação básica brasileira, com destaque para: (1) Criação do FUNDEB em substituição ao FUNDEF, com natureza contábil no âmbito de cada Estado e DF, composto por 20% de diversos impostos e transferências constitucionais (ICMS, IPVA, FPM, FPE, IPI-Exportação, ITCMD, ITR, etc.); (2) Inclusão constitucional da contribuição social do salário-educação como fonte adicional de financiamento da educação básica pública (§5º do art. 212), recolhida pelas empresas na forma da lei, com distribuição das cotas estaduais e municipais proporcionalmente ao número de alunos matriculados; (3) Complementação da União com valores mínimos progressivos (R$ 2 bi no 1º ano, R$ 3 bi no 2º, R$ 4,5 bi no 3º, e 10% do total dos Fundos a partir do 4º ano); (4) Piso salarial profissional nacional para profissionais da educação escolar pública (art. 206, VIII); (5) Valorização dos profissionais da educação com planos de carreira e ingresso por concurso público; (6) Garantia de assistência gratuita em creches e pré-escolas aos dependentes dos trabalhadores até 5 anos (art. 7º, XXV); (7) Manutenção dos efeitos do FUNDEF (EC 14/1996) até início da vigência do FUNDEB; (8) Vigência de 14 anos a partir da promulgação (dez/2006), portanto até dezembro de 2020, quando foi substituído pelo novo FUNDEB da EC 108/2020. Para o setor fiscal-empresarial, o impacto está concentrado na constitucionalização do salário-educação como fonte de financiamento e na manutenção da sistemática de subvinculação de receitas de impostos que impactam indiretamente a carga tributária.

Quem é afetado

Empresas em geral (recolhedoras do salário-educação, contribuição social prevista no art. 212, §5º); Estados, Distrito Federal e Municípios (gestores dos Fundos e responsáveis pela aplicação dos recursos); Profissionais da educação pública (beneficiários do piso salarial nacional e planos de carreira); Trabalhadores com filhos até 5 anos (direito à assistência gratuita em creches e pré-escolas); Alunos da educação básica pública.

O que fazer

Empresas devem manter o recolhimento regular da contribuição social do salário-educação, cuja constitucionalidade foi reforçada pela EC 53/2006 — a emenda não altera alíquotas ou sistemática de cálculo (que permanecem na legislação ordinária), mas eleva o status dessa contribuição. Contudo, como a EC 53/2006 já teve sua vigência encerrada em 2020 (substituída pela EC 108/2020), o foco atual deve ser a conformidade com o novo regime do FUNDEB permanente. Nenhuma ação imediata é exigida exclusivamente por esta emenda.

Taxonomia

Tributos afetados

Salário-EducaçãoICMSIPVAITCMDITRIPI

UFs afetadas

Nacional
Relações
Carregando grafo…

Decorre de

Nenhuma norma anterior identificada

Histórico e alterações

Implementado por

Nenhum desdobramento identificado

Prazos e Timeline

Prazos

obrigatório
Vigência do FUNDEB — prazo de 14 anos a partir da promulgação da EC 53/2006até 19/12/2020
obrigatório
Complementação da União — R$ 2 bilhões no 1º ano de vigência dos Fundos
obrigatório
Complementação da União — R$ 3 bilhões no 2º ano de vigência dos Fundos
obrigatório
Complementação da União — R$ 4,5 bilhões no 3º ano de vigência dos Fundos
obrigatório
Gradualidade da constituição dos Fundos — 1º ano: 16,66% (grupo I) e 6,66% (grupo II)

Timeline

Publicação20/12/2006

Publicação da EC nº 53/2006 no Diário Oficial da União

Início de vigência20/12/2006

Entrada em vigor na data de publicação, mantidos os efeitos do FUNDEF (EC 14/1996) até o início da vigência dos Fundos do FUNDEB

Fim de vigência19/12/2020

Término da vigência do FUNDEB criado pela EC 53/2006 (14 anos após promulgação), substituído pelo FUNDEB permanente da EC 108/2020

Texto Integral
Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. <!ID893628-0> AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL , nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional: Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... .................................................................................................... XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ..........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único . Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................... VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ..........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. .................................................................................................... V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; .................................................................................................... VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................... IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ..........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. .................................................................................................... § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. .................................................................................................... § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) “Art. 60. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação, respeitadas as seguintes disposições: I - a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal, os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de natureza contábil; II - os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I, II e III do art. 155; o inciso II do caput do art. 157; os incisos II, III e IV do caput do art. 158; e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art. 159, todos da Constituição Federal, e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial, matriculados nas respectivas redes, nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição Federal; III - observadas as garantias estabelecidas nos incisos I, II, III e IV do caput do art. 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação, a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos, a distribuição proporcional de seus recursos, as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino; b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno; c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica, observados os arts. 208 e 214 da Constituição Federal, bem como as metas do Plano Nacional de Educação; d) a fiscalização e o controle dos Fundos; e) prazo para fixar, em lei específica, piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica; IV - os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária, conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição Federal; V - a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que, no Distrito Federal e em cada Estado, o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente, fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo, vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art. 212 da Constituição Federal; VI - até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação, na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo; VII - a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de, no mínimo: a) R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais), no primeiro ano de vigência dos Fundos; b) R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais), no segundo ano de vigência dos Fundos; c) R$ 4.500.000.000,00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais), no terceiro ano de vigência dos Fundos; d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo, a partir do quarto ano de vigência dos Fundos; VIII - a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. 212 da Constituição Federal suportará, no máximo, 30% (trinta por cento) da complementação da União, considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo; IX - os valores a que se referem as alíneas a, b, e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados, anualmente, a partir da promulgação desta Emenda Constitucional, de forma a preservar, em caráter permanente, o valor real da complementação da União; X - aplica-se à complementação da União o disposto no art. 160 da Constituição Federal; XI - o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente; XII - proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. § 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar, no financiamento da educação básica, a melhoria da qualidade de ensino, de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente. § 2º O valor por aluno do ensino fundamental, no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal, não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional. § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental, no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional. § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo, levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil, para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano, 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos, conforme o inciso II do caput deste artigo, será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos, da seguinte forma: I - no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. 155; do inciso IV do caput do art. 158; e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. 159 da Constituição Federal: a) 16,66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), no primeiro ano; b) 18,33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento), no segundo ano; c) 20% (vinte por cento), a partir do terceiro ano; II - no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. 155; do inciso II do caput do art. 157; e dos incisos II e III do caput do art. 158 da Constituição Federal: a) 6,66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), no primeiro ano; b) 13,33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento), no segundo ano; c) 20% (vinte por cento), a partir do terceiro ano.”(NR) § 6º (Revogado). § 7º (Revogado).”(NR) Art. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação, mantidos os efeitos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias , conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14, de 12 de setembro de 1996 , até o início da vigência dos Fundos, nos termos desta Emenda Constitucional. Brasília, em 19 de dezembro de 2006. Mesa da Câmara dos Deputados Mesa do Senado Federal Deputado ALDO REBELO Presidente Senador RENAN CALHEIROS Presidente Deputado JOSÉ THOMAZ NONÔ 1º Vice-Presidente Senador TIÃO VIANA 1º Vice-Presidente Deputado CIRO NOGUEIRA 2º Vice-Presidente Senador ANTERO PAES DE BARROS 2º Vice-Presidente Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA 1º Secretário Senador EFRAIM MORAIS 1º Secretário Deputado NILTON CAPIXABA 2º Secretário Senador JOÃO ALBERTO SOUZA 2º Secretário Deputado EDUARDO GOMES 3º Secretário Senador PAULO OCTÁVIO 3º Secretário Senador EDUARDO SIQUEIRA CAMPOS 4º Secretário Este texto não substitui o publicado no DOU 20.12.2006 *
Metadados
Assinatura19/12/2006
Primeira coleta24/07/2026, 16:02
Última verificação24/07/2026, 17:59
ID internoEC-53-2006
Fontelegislativo
Análise gerada por IA com base no texto oficial. Não constitui orientação jurídica ou contábil. Confira sempre o documento original. Como funciona
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