Projeto usa recebíveis para dar crédito a caminhoneiro
A registradora Central de Recebíveis (Cerc) participa de um projeto para ampliar o acesso a crédito no segmento de transportes. A empresa ajudará financiadores a avaliar e registrar recebíveis de transportadoras e caminhoneiros, que serão utilizados como garantia de empréstimos. Para Marcelo Maziero, sócio-fundador da Cerc, o projeto ajuda a democratizar o acesso ao crédito para o setor de transpo
Análise▾
Impacto — resumo
Iniciativa piloto usa o MDF-e como base para registrar recebíveis de fretes, permitindo que transportadoras e caminhoneiros autônomos antecipem esses créditos junto a instituições financeiras. O projeto é coordenado pelo Ministério da Economia (extinto, atual Ministério da Fazenda) em cooperação com as secretarias de Fazenda estaduais e a Cerc. Trata-se de uma notícia/informativo, não de uma norma fiscal com obrigatoriedade ou regras de validação técnicas.
Impacto — detalhado
Trata-se de artigo jornalístico (Valor Econômico, 22/12/2021) descrevendo um projeto piloto de registradora de recebíveis (Cerc) voltada ao segmento de transportes. O projeto utiliza o MDF-e — já obrigatoriamente emitido por transportadoras e caminhoneiros autônomos há cerca de uma década — como lastro para identificar e registrar recebíveis de frete, que então podem servir como garantia em operações de crédito (antecipação de recebíveis). A Cerc consulta sistemas das secretarias de Fazenda para verificar o lastro dos recebíveis mediante autorização do transportador. A SEFAZ-BA já possuí sistema de consultas adaptado para MDF-e e quase todos os estados estão conectados, exceto SP e MG. O piloto conta com quatro transportadoras (incluindo Coopercarga) e seguirá por aproximadamente dois meses antes de incorporar funcionalidades de liquidação financeira. Não há alteração de regras de emissão, validação ou layout do MDF-e; o projeto apenas consome dados do MDF-e para fins financeiros.
Quem é afetado
Transportadoras de carga, caminhoneiros autônomos, instituições financeiras e fintechs que operam com antecipação de recebíveis, e registradoras de recebíveis (Cerc). Secretarias de Fazenda estaduais que disponibilizam consultas de MDF-e.
O que fazer
Acompanhar o desenrolar do projeto piloto nos próximos dois meses. Transportadoras e caminhoneiros autônomos que tenham interesse em antecipar recebíveis de frete devem verificar a disponibilidade do serviço junto a instituições financeiras parceiras. Instituições financeiras interessadas em participar devem buscar articulação com a Cerc. Secretarias de Fazenda de SP e MG precisam avaliar adesão técnica ao sistema de consultas de MDF-e. Nenhuma alteração de procedimento fiscal (emissão de MDF-e, EFD, etc.) é exigida por esta noticia.
Taxonomia▾
Documentos afetados
Operações afetadas
UFs afetadas
Relações▾
Prazos e Timeline▾
Prazos
Timeline
Publicação de artigo no Jornal Valor Econômico descrevendo o projeto piloto de registro de recebíveis de fretes lastreados em MDF-e pela Cerc
Texto Integral▾
A registradora Central de Recebíveis (Cerc) participa de um projeto para ampliar o acesso a crédito no segmento de transportes. A empresa ajudará financiadores a avaliar e registrar recebíveis de transportadoras e caminhoneiros, que serão utilizados como garantia de empréstimos. Para Marcelo Maziero, sócio-fundador da Cerc, o projeto ajuda a democratizar o acesso ao crédito para o setor de transportes, que é essencial para o país e tem grande necessidade de capital de giro. “Enquanto infraestrutura do mercado financeiro, a Cerc vai viabilizar essa democratização, registrando os recebíveis de transportes, o que dará muita segurança para os agentes financeiros que forneçam crédito para transportadoras e caminhoneiros autônomos.” A base de todo o projeto, ainda em piloto, é o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), que é vinculado à Nota Fiscal Eletrônica. Para realizar um frete, as secretarias de Fazenda estaduais exigem há cerca de dez anos que transportadoras e caminhoneiros autônomos emitam esse documento. O MDF-e é emitido toda vez que é contratado um transportador. A Cerc, após a solicitação feita pelo financiador, com autorização da empresa de transporte ou do caminhoneiro autônomo, consulta o serviço disponibilizado pelas secretarias para verificar o lastro dos recebíveis e realizar o registro daquele recebível e da respectiva operação de crédito. Segundo Maziero, existem quase 2 milhões de caminhoneiros no Brasil e o frete geralmente é pago dias após a entrega da mercadoria, muitas vezes mais de 30 dias após a contratação. Nesse momento, é gerada uma espécie de duplicata. “Eles prestam serviço para as transportadoras, que são empresas, então têm um recebível em mãos. Deveriam poder ir em um banco, uma fintech e antecipar esse recebível”, afirma. O executivo diz que a secretaria de Fazenda da Bahia já possuía um sistema de consultas de notas fiscais e o adaptou para os MDF-e. Atualmente, quase todos os outros Estados estão conectados nesse sistema, com exceção de São Paulo e Minas Gerais. “Eles estão fora por uma questão tecnológica, mas devem entrar em breve”, avalia. O projeto geral é resultado da cooperação entre o Ministério da Economia e as secretarias da Fazenda de todos os Estados e do Distrito Federal. O período de experiência levará cerca de dois meses. Depois disso, serão incorporadas novas funcionalidades, relativas à liquidação financeira dos recebíveis, para seguir para a fase definitiva do projeto. “O sistema de troca de informações sobre notas fiscais entre os Estados já existe há muitos anos, é seguro, robusto, sofisticado e estável”, diz Maziero, afirmando que os volumes consultados ali são muito grandes e o risco de fraude é praticamente nulo. “Atualmente, vários transportadores autônomos ainda se utilizam de mecanismos informais, como o desconto de ‘carta-frete’, para pagamento de despesas ao longo do trajeto do transporte da carga. Isso acaba reduzindo significativamente a sua renda líquida ao fim do serviço. Com a nova estrutura de antecipação de recebíveis, essas despesas no trajeto poderão ser pagas com recursos adiantados junto a instituições financeiras com taxas mais baixas”, explicam, por meio de nota, as subsecretarias de Direito Econômico e de Política Microeconômica e Financiamento de Infraestrutura, que ficam sob a Secretaria de Política Econômica, do Ministério de Economia. A Caixa já manifestou interesse em participar do projeto e outros bancos privados e mesmo fintechs devem se juntar em breve. Quem dá o consentimento para o financiador ver as duplicatas é a transportadora, que é quem emite o documento, e então o banco pode analisar para quem oferecer a antecipação dos recebíveis. O sistema vai monitorar todo o trajeto da carga, verificando por exemplo se passou por pedágios, por postos fiscais, já que se a mercadoria não for entregue o caminhoneiro não recebe o frete e o banco que financiou a antecipação perde o recebível que servia de lastro para a operação. A ideia é que haja várias modalidades e pode ser que alguns bancos escolham antecipar somente recebíveis de cargas já entregues, por exemplo. Na fase piloto haverá quatro transportadoras, incluindo a Coopercarga. “Estamos sempre acompanhando as evoluções tecnológicas e por isso temos participado ativamente deste projeto, queremos ser pioneiros em todas essas mudanças visando melhorar o setor de transporte, as operações logísticas e principalmente os benefícios que podem ser gerados a nossos parceiros transportadores, como taxas de desconto mais razoáveis ofertadas pelo mercado financeiro”, afirma Teofilo João Secco, contador da Coopercarga. Fonte: Jornal Valor Econômico, 22/12/2021
Metadados▾
SVRS-2720svrs